Café Hidroviário debate alternativas para a economia gaúcha

Evento aconteceu em 23 de maio

Com o tema “A importância dos portos e hidrovias na retomada da economia gaúcha”, a ANTAQ e o Movimento Pró-Logística realizaram mais uma edição da série Café Hidroviário, no Rio Grande do Sul. O evento ocorreu na terça-feira (23), no auditório da Administração do Porto de Porto Alegre (antiga SPH).

Tokarski (C) e Povia (E) durante debate no evento Café Hidroviário. Foto: ASC/ANTAQ

O início do encontro contou com uma apresentação do Hidrovia-RS, promovida pela Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP). O gerente do projeto, Miguel Pires, expôs a proposta de criar uma entidade reunindo diversos setores a fim de administrar um fundo privado para o desenvolvimento das hidrovias gaúchas.

O diretor-geral da ANTAQ, Adalberto Tokarski, ressaltou a urgência de iniciativas como essa argumentando que o estado não tem dinheiro no horizonte de dois anos, pelo menos. Tokarski pediu uma aglutinação de forças do setor e citou o exemplo do Mato Grosso, onde foi criado o Movimento Pró-Logística para resolver os assuntos prioritários do setor. Segundo o diretor-executivo da organização, Edeon Vaz Ferreira, o sucesso da iniciativa reside em três fatores: cobrança vinte e quatro horas por dia, articulação com os órgãos públicos e privados e ação proativa. Já o presidente da Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária (Fenavega), Raimundo Holanda, ressaltou que muitas autoridades atuam na navegação e portos e que a Fenavega está com uma campanha de desburocratização.

Quando a palavra foi aberta ao público, as manifestações dos empreendedores convergiram para dois pontos: excesso de burocracia e escassez de recursos. O diretor da ANTAQ, Mario Povia, pediu a participação do setor privado na solução dos problemas e convocou os participantes para os espaços de discussão existentes, como a Comissão Nacional das Autoridades nos Portos – Conaportos.

Duas iniciativas de trabalho em conjunto mereceram destaque. O coordenador de logística da CMPC Celulose Riograndense, Roberto Hallal, citou a parceria público-privada firmada no Porto de Pelotas e disse que a empresa hoje responde por cerca de 40% da movimentação fluvial de cargas. Já o diretor de Hidrovias da Superintendência do Porto do Rio Grande (SUPRG), Eduardo Alves, mencionou a reforma de uma draga feita em parceria com empreendedores. Ele garantiu que a extinção da SPH não parou os serviços e afirmou que a autarquia possui equipe técnica e equipamentos, mas precisa de recursos.

Previsto para receber 45 pessoas, o evento foi prestigiado por mais de 60 participantes, com representação significativa do setor portuário e hidroviário gaúcho, entre os quais o governo estadual, como os secretários da Casa Civil, Fábio Branco, e da Agricultura, Ernani Polo; do setor privado, como a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Federação do Comércio de Bens e de Serviços (Fecomércio-RS), Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária (Fenavega),  Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e de empresas de navegação; de orgão públicos, como a Marinha, Administração das Hidrovias do Sul (AHSUL), Superintendência do Porto do Rio Grande (SUPRG), Tribunal de Contas da União (TCU) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); de sindicatos, como o dos Operadores Portuários (Sindop/RS), dos Armadores de Navegação Interior (Sindarsul) e da Indústria do Tabaco (Sinditabaco); e do setor paraestatal, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR-RS).

No debate houve consenso acerca da necessidade de maior articulação dos atores presentes. Também surgiram proposições de organizar no Rio Grande do Sul de um movimento similar ao Pró-Logística, da realização de seminários mais frequentes a fim de ampliar a discussão das soluções e dar maior visibilidade ao tema hidroviário no estado.