ANTAQ participa de debate sobre Hidrovia Paraná-Paraguai em São Paulo

Instituto de Engenharia de São Paulo promoveu o evento

O Instituto de Engenharia de São Paulo realizou no dia 8 o Seminário Internacional “A Integração do Cone Sul pelas Hidrovias – Um modelo de gestão”, na sede da entidade, em São Paulo. O evento teve como eixo central o papel do sistema hidroviário como indutor do desenvolvimento regional, dentro de uma visão logística, econômica, social e estratégica, com destaque para a Hidrovia Paraná-Paraguai e a perspectiva de integração que esta via representa para Bolívia, Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai.

 Adalberto Tokarski (D): estudo sobre a hidrovia será divulgado em breve

Participaram dos debates representantes da ANTAQ, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), da Marinha do Brasil, além de integrantes da chancelaria e da comunidade empresarial usuária da hidrovia, do Brasil, Argentina e Bolívia.

Na sua exposição, o diretor-geral da ANTAQ, Adalberto Tokarski, destacou que a importância da Hidrovia Paraná-Paraguai não se limita ao trecho do centro-oeste brasileiro, mas, sim, aos mais de 3,4 mil quilômetros de extensão, que banham cinco países, desde o Estado do Mato Grosso até a Bacia do Prata, no Oceano Atlântico. Conforme Tokarski, todo esse potencial é objeto de um estudo que a ANTAQ, através de um convênio com a Universidade Federal do Paraná, viabilizou e que será apresentado oportunamente aos atores públicos e privados da hidrovia, nos diversos países que compõem a hidrovia.

Para o diretor da ANTAQ, Mário Povia, a Agência vem contribuindo para que a Hidrovia Paraná-Paraguai se torne uma ferramenta importante de logística para os cinco países mencionados. E esse estudo que será divulgado em breve será um material onde estarão todas as potencialidades da via.

O superintendente de Desempenho, Desenvolvimento e Sustentabilidade da Agência, Arthur Yamamoto, abordou o histórico e a situação atual do acordo da hidrovia, do qual os cinco países são signatários. Yamamoto relatou as dificuldades para sua implementação e funcionamento.

Por sua vez, o ministro João Carlos Parkinson de Castro, chefe da Coordenação-Geral dos Assuntos Econômicos Latino-Americanos e Caribenhos do Itamaraty, teceu críticas acerca do desperdício desse grande meio de escoamento da produção e de integração regional. Citou a necessidade de uma visão estratégica de médio e longo prazos para a hidrovia e discorreu sobre aspectos-chave para desenvolvê-la.

O embaixador Rubens Barbosa, presidente do Irice, enfatizou a necessidade da existência de uma entidade de coordenação multilateral com representantes dos países signatários do acordo, com orçamento e poder de decisão para a operação eficiente da hidrovia. O vice-almirante Antonio Carlos Soares Guerreiro, comandante do 8º Distrito Naval de São Paulo, destacou a função e estrutura da Marinha para executar atividades relativas à segurança da navegação.

Os debates ao final do evento provocaram a formação de um grupo de trabalho, a ser coordenado pelo Instituto de Engenharia, com a participação de representantes do setor público e da comunidade empresarial presente, em especial, de empresas que já atuam na hidrovia. O objetivo é consolidar propostas para serem encaminhadas ao Ministério de Relações Exteriores e para os demais órgãos do governo federal.